
Não tenho a pretensão que penses que sou perfeita. Não tenho sequer a intenção de te vendar os olhos com beijos, e impedir-te de ver os meus defeitos. Não quero que caías pela ilusão das palavras que te escrevo em tantas cartas, que no fim não envio… apenas por não saber que rumo lhes dar. Que o sentido dos meus dedos corre as cegas pelos rios que me correm no corpo, vermelhos, ateados á sede do teu fogo, um novo folgo da respiração embriagada pelos problemas que nos surgem e nos apertam as memorias esmagadas contra o peito inerte, numa qualquer insónia, numa qualquer insígnia de um arrepio na pele. Sentes e não me vês, beijo-te e não te toco, e no entanto, nos tantos e etretantos da conversa sabes-me de cor e de cores sem tom, matriz sem espectro a lentes ópticas, e de aromas a sentimentos, perfumes que descobres as cegas guiado pelo tacto. Corres e ficas, escondes-te e mostras-te nu aos meus olhos, por também Tu não poderes estar sem mim, por também tu sentires os desejos que me levam as horas, pelas mesmas indefinidas estradas onde perdes a conta aos momentos. Quando olho o céu não o olho sozinha, sei numa meia verdade que aos teus olhos acorre o brilho do mesmo espaço vazio onde me procuras nas horas em que não queres adormecer sozinho. Sou parte integrante da tua vida, sou a peça que falta no teu jogo final principalmente agora que o prenúncio da madrugada se anuncia ao toque vibrante dos primeiros orvalhos da manha onde busco eu agora o conforto precário numa fortaleza de lençóis sem dono, onde num último lapso de consciência ainda te dirijo a ultima palavra da noite. Apenas por saber que não te posso esperar pela eternidade, mas que posso faze-lo pela vida inteira!