quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Guardo-te no pensamento, estrela;


Um obrigado ao rebelde (Crónicas de um bom rebelde) pela
escrita divina que nos faz cair na chuva miudinha da inspiração. Este texto nasceu em mim depois de mais uma de tantas leituras atentas ao blogue que tanto prezo.

Modo imperativo, tempo presente, dito no plural. Verbos reinventados em tantas frases trocadas sem noção do verdadeiro peso das palavras que nos acorriam sem contenção. Que nos toldavam a razão, em tantas vezes que perdíamos mais que o juízo, pelo meio de brincadeiras, no caminho dos sorrisos, pelas longos versos da canção. E enquanto me tomava a fome de te ter, trocavas comigo as palavras atónitas da imensidão da vontade de dizer sempre mais, e nunca chegava a união das letras para apaziguar a ausência do toque, que tantas vezes imaginávamos ser como o leve roçar do vento impregnado do doce sabor da brisa no verão. E seriam os nossos beijos melodia, seriam as nossas ardentes mãos pintadas de paixão, e os teus olhos fixos nos meus matariam a sede de me perder na tão prometida e fugidia ilusão. Seriam no fim da noite os teus braços o meu colchão e os teus beijos de embalar acordariam os sonhos em mim -onde mais uma vez te iria encontrar. Mas o rumo da história muda, o mundo giro, o tempo roda num turbilhão, e fica-nos a vida de pernas para ar. E tantos foram os desejos que agora me sinto vazia da vontade de sentir, quando já mal me permito ver a tua presença, com medo de te saber como antes eu te sabia, preso a mim em cada singular respiração, em cada passo dado na direcção oposta a que ordena o coração, em cada raciocínio demorado da razão, distraidamente viajante entre o aqui e o lugar onde estas, distante, e eu hesitante, irresoluta, vacilante, balanceio na linha do amor, fazendo malabarismo com Sentimentos tão novamente inauditos que me voltam a fazer oscilar. E o esmorecer da estrela da manhã é o primeiro soar do trompete, que irrompe da alvorada, amotinada e voraz no despertar de um sol que rasga os contornos, esculpidamente disformes da linha ambígua do horizonte. E sinto-me agora atormentada, desprotegida, desabrigada, e no frígido calor do momento fraquejo, alienada da vontade de alcançar o caminho de fuga que permanece eternamente aqui ao lado. A saída de emergência aquiesce a vontade de lhe recorrer ao interior do pensamento, abro, saio, corro, fujo, mas a meio do caminho, depois de inteiramente perdido o alento, engrandece-se em mim a ânsia de voltar, de retornar ao ponto de partida. Fujo, corro, entro, fecho a porta, e começo tudo de novo outra vez. Não sei onde errei. Não sei qual foi o ponto de partida em que te comecei a perder, nem tão pouco que sombras dissipadas terei deixado para trás. Queria eu saber toldar a razão. Faze-la voltar atrás, em fantasia, espectro da razão, manipula-la como ornamento, pendura-la ao coração, e exibir o seu seio no esplendor do momento. Mas o tempo teima em não voltar, e teimo eu em faze-lo então galgar o abismo do silêncio que agora se torna vítreo e corta a vida em dois. Pensamentos proibidos afluem ao caudal do rio transbordante nas margens da menina dos meus olhos, com uma rispidez que me cala a voz, me reparte a inspiração, e como se não estivesse eu soluçante recolho á minha melhor e mais confiante voz, no instante de te dizer o adeus que teima em ancorar amarras de ferro no nó caprichosamente sufocante, e faltando-me a intenção e o talento da mentira, cai o pano, fim da cena e exibo a alma á plateia, não ouço apupos, vaias, não vejo aplausos, ovação, louvores, mas sim o incomodo ludibriante na expectativa da resposta, e o fim é firmado pelo enredo da confusão de não saber o que quero dizer no desfecho final. O coração pede que me entregue, que chore o mar pelos olhos, salgado, ondulante, tão mais sincero, franco, leal, que a estrela cadente que profana a calma do céu hoje fendido. Mas a razão exige-me que diga não, que negue o que sofro, sofrendo o que nego, e me feche na solidão de mais um sorriso vazio, de mais um olhar morto para lado nenhum.
Estarei eu preparada para escolher? Estarás tu - publico expectante -preparado para me fazer escolher então?

8 comentários:

  1. nossa, realmente lindo!
    estou até seguindo, pra nao esquecer de sempre passar aqui rs
    Beeijos!

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  2. Que extenso texto! Uma grande inpiração.

    Beijos MM.

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  3. aind abem amiga atao....espero que continues a vir ca..mai scoisas viram para ler:P
    u, bj arrepiado

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  4. OI! É a Mari do www.280197.blogspot.com :D Só vim avisar que o endereço do blog mudou, agora é www.you-aremylifenow.blogspot.com
    Obrigada por seguir,
    Espero pela sua visita,
    Beijos!

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  5. Não sei quem vence!
    Não sei quem leva a melhor
    Só sei que um sorriso teu
    Fez desabrochar das pedra uma flor

    Com ela teci um tapete
    Engalanei a sombra dos teus passos
    Escrevi um derradeiro pedido numa pétala
    Rogando a infinita ternura dos teus abraços



    Doce beijo

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  6. Só hoje. - É o que dá andar a vasculhar textos no teu blog - Só hoje é que me apercebi da grande homenagem e referência à minha pessoa, e especificamente ao meu blog. Ainda que tardio, o meu muitíssimo obrigado não poderia efectivamente falar. Com espanto, e com um misto de orgulho por saber que sou fonte de inspiração para alguém que trata as palavras com tamanho talento. ;) Um grande beijinho.*

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