
Talvez ele seja inesquecivel demais para tentar esquecer, talvez a face dele nunca desapareça do meu olhar fechado, e o meu espelho nunca desista de o reflectir no meu sorriso. Talvez ele irá ser por muito tempo a minha inspiração corrente em cada simples frase, em cada simples beijo arrancado a' força, em cada amo-te a' pessoa errada.
E talvez ele sempre seja o motivo maior por detrás de todas as pequenas - grandes- coisas, seja ele quem me fará procurar nos braços de outro o breve e leve traço do aroma dos lábios dele, ou a maciez da cama a' beira mar com vista para a estrela poente, onde o fiz homem, onde me fez mulher.
Talvez seja a ele que eu vá encontrar, por um acaso da vida, brincadeira frustrante - (ir)relevante - do destino, num qualquer papel amarrotado, num cigarro caído, numa carta sem remetente, num telefonema anónimo, num filme de amor, numa criança que sorri, num céu que chora, num desenho por acabar... e quem sabe se ele não esteja mesmo lá, sempre perto, sempre atento. Talvez seja ele que de vida aos meus pés e que me faça caminhar, que me feche os olhos a noite e me sussurre ao ouvido a tal canção de embalar que nunca esqueci, que me faça abrir espaço pela natureza - pureza - branca da folha, e me faça encantar a linha fina no caminho da caneta, e sendo esta opaca, a torne pensamento. E quando escrevo sobre ele, talvez esteja a sua mão sobre a minha numa união infinita e perfeita em harmonia, uma comunhão de duas almas num sentimento.
Depois disto não teria como negar, mesmo que o quisesse, que ele esta em mim, em cada viagem do ponteiro do relógio...
Mas se por sinuosos caminhos a minha presença perdeu-se do rasto da sombra dele(...)
então ai vejo que não sou eu que estou sem ele
(...)
é ele que esta sem mim!